domingo, 13 de novembro de 2011

Teleférico vai ligar Rocinha à Linha 4 do metrô

13/11/2011 - O Globo

Similar a modelo do Alemão, sistema terá 9 estações e capacidade para transportar 30 mil passageiros/dia

Rio - Depois da pacificação, os moradores da Favela da Rocinha ganharão mobilidade. A construção de um teleférico nos moldes do sistema implementado no Complexo do Alemão é a aposta do governo do estado para garantir rápido acesso dos moradores da comunidade à futura estação São Conrado da Linha 4 do metrô. A Empresa Estadual de Obras Públicas (Emop) estima que o sistema terá nove estações, percorrerá um trecho de 2,5km e operará com capacidade para transportar 30 mil pessoas por dia. O início das obras deverá se dar no fim do ano que vem, caso não haja atraso nas licitações.

O governo marcou para o próximo dia 30 a concorrência pública para elaborar a segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-2) da Rocinha. A vencedora terá R$ 12 milhões para desenvolver os projetos. Além do teleférico, as intervenções incluem a construção de pelo menos três planos inclinados. O objetivo é dotar a Rocinha de um sistema de transporte integrado ao metrô, como diz o presidente da Emop, Ícaro Moreno Júnior, que estima custo de R$ 700 milhões para execução do projeto.

— Os planos inclinados terão acesso às estações do teleférico, que será ligado ao metrô. Tenho um conceito de teleférico, uma ideia ainda a ser debatida com a população. Vamos propor nove estações, cortando a Rocinha desde a estação do metrô, na subida da Estrada da Gávea, até o Largo do Boiadeiro, passando pelo parque ecológico que vamos inaugurar em janeiro — planeja.

As gôndolas devem ser similares às do Alemão, com capacidade para oito pessoas sentadas e duas em pé, detalhou o presidente da Emop. E o número de paradas da Rocinha deve mesmo ser maior que o do Alemão (cinco).

A Emop considera que, por conta da maior concentração populacional por metro quadrado da Rocinha em relação ao conjunto de favelas da Zona Norte, o novo teleférico terá um pouco mais do que as 152 cabines de passageiros do Alemão. Moradores da favela deverão ter uma passagem de ida e uma de volta gratuitas por dia.

— Não tenho dúvidas de que o sistema de transportes da Rocinha será um grande sucesso. O Alemão está hoje com 12 mil passageiros por dia. Na Rocinha, mais vertical e com densidade demográfica maior, podemos chegar a 30 mil logo no início de operação — avalia Ícaro Moreno.

Se as obras prometem trazer benefícios à favela, alguns transtornos serão inevitáveis, diante da necessidade do reassentamento de cerca de mil moradores. Essas pessoas serão realocadas na própria comunidade, ou podem ir para outro local, via programa de compra assistida.

Em recente reunião com o vice-governador Luiz Fernando Pezão, a presidente Dilma Rousseff pediu ao governo do estado que desenvolva projetos para a ampliação dos espaços entre o mobiliário da Rocinha. A presidente quer que as intervenções sigam o modelo da Rua Quatro, que foi alargada em 7,5 vezes.

— Abriremos espaço, vamos oxigenar a comunidade e derrubar os altos índices de tuberculose. Em janeiro, vamos licitar outros R$ 60 milhões em obras de saneamento e diversas ações de conclusão do PAC-1 — diz Pezão.

Conforme mostrou O GLOBO em outubro, o Instituto dos Arquitetos do Brasil do Rio (IAB-RJ) havia questionado o fato de o edital das obras do PAC-2 exigir dos concorrentes mais de R$1 milhão de capital mínimo e experiência em projetos de execução de teleféricos. A segunda exigência foi abolida pela Emop.

Fonte: O Globo/RJ
 

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Projeto prevê transporte de passageiros em cabines

02/11/2011 - O Dia (PI)

Teresina poderá ter, já a partir de 2012, um sistema de transporte de passageiros revolucionário. Chamado de Personal Rapit Transit (PRT), que significa Transporte Individual Rápido, o sistema existe em algumas cidades do mundo e já está em estudo para ser implantando em várias cidades do Brasil. Teresina é uma delas, com previsão para inauguração do primeiro modelo experimental no segundo semestre de 2012. Será 1 quilômetro de extensão, instalado no pátio da RFFSA (Rede Ferroviária Federal, próximo ao Terminal de Petróleo, na zona sudeste de Teresina).

O PRT está sendo implantado no Brasil pela Mister, uma empresa internacional que detém a patente do sistema de transporte. O PRT consiste em trilhos elevados onde cabines climatizadas percorrem em trilhos de aço distancias com maior velocidade, uma vez que sem obstáculos e sem filas, os usuários podem se deslocar com mais segurança e maior economia.

Cada cabine transportará quatro pessoas sentadas e um espaço para cadeirantes. "A vantagem do sistema é a rapidez entre os deslocamentos e também proporcionará a redução dos congestionamentos, já que as pessoas deverão deixar seus automóveis em casa e usar o PRT", afirma o turismólogo Jorge Machado, responsável pela Misterbrasil em Teresina e que vai administrar o novo sistema de transporte por 25 anos.

A previsão é de que as linhas sejam localizadas nos canteiros centrais das principais avenidas, onde serão instalados postes com 12 metros de altura e 40 metros de distância um do outro. As cabines serão fixadas nos trilhos e serão movidas a energia elétrica a uma velocidade média de 60 Km/h.  Os passageiros, para fazer o embarque e desembarque, utilizarão estações localizadas em pontos movimentados de Teresina.

Os estudos para a implantação do PRT estão sendo feitos por várias empresas, que depois serão avaliados pela Consultoria e Planejamento. Em seguida, o parecer final será encaminhado para a Prefeitura de Teresina (que dará a autorização para a concessão do sistema), autoridades ambientais (para estudo do impacto ambiental, saneamento, saúde, obras e impactos de solo) e ainda a Companhia Metropolitana de Transporte Público (CMTP), já que 70% dos pontos por onde passarão os trilhos do PRT são de propriedade da CMTP.

Jorge Machado conta que Teresina terá 14 quilômetros de trilhos que percorrerão quase toda a cidade, interligando os bairros. Uma das linhas interligará o Aeroporto Senador Petrônio Portella às Avenidas Centenário, Santos Dumont e Miguel Rosa. De lá, no cruzamento com a Avenida Frei Serafim, se abrem duas linhas, sendo uma em direção ao Centro, concluindo na praça Pedro II, e uma outra em direção à zona leste.

Ao chegar na zona leste (Avenida João XXIII), novamente se abrirão duas linhas em direções diferentes: uma pela Av. N. Sra. de Fátima até o Campus da Universidade Federal do Piauí, e uma outra pelas Avendies Raul Lopes, Cajuína, passando pela terminal da RFFSA, indo até ao bairro Itararé (Dirceu Arcoverde) pelas Avenidas Paulo Ferraz e José Francisco de Almeida Neto. Teresina terá 32 estações de embarque e desembarque de passageiros.

O custo total do projeto será de R$ 250 milhões e será bancado por empresas internacionais emissores de gás carbônico no planeta. "No Protocolo de Kyoto, foi acertado em as empresas deveriam investir em transportes não poluentes para compensar os danos ao meio ambiente e evitar o aumento da poluição", afirma Jorge, sobre o protocolo internacional assinado em 1997 na cidade de Kyoto, no Japão, parra discutir o aquecimento global.

No entanto, o investimento terá retorno para as empresas investidoras através da cobrança do bilhete (passagem), como ocorre com os ônibus e metrô, além de créditos carbono oriundos do resgate de poluentes efetivados com o funcionamento das cabines, cuja energia utilizada é elétrica.

Jorge Machado prevê que o PRT substituirá os automóveis em até 40%, uma vez que ao preço da passagem do metrô, este sistema descongestiona o centro da cidade, facilita o acesso e o estacionamento. "Além disso, hoje um veículo transporta, em média 1,2 pessoas. Com a cabine, serão transportadas 4 pessoas", explica o turismólogo.

Apesar de ser chamado de transporte individual, o PRT transportará até quatro pessoas (cinco se contar o cadeirante). Assim, a capacidade de transporte é de 200 mil pessoas por dez quilômetros por dia. "São cinco mil viagens feitas por quilômetro em um dia. Como cabem quatro pessoas, o total é de 200 mil passageiros", diz Jorge.

Vantagens

Entre as vantagens do PRT, o custo, a segurança e o acesso. "AS pessoas poderão se deslocar tranquilamente sem o sufoco dos transportes como ônibus, e nem os preços cobrados pelos transportes preferenciais como os táxis. Assim mesmo, deve se destacar o resgate de gases poluentes que o sistema possibilita, melhorando a qualidade do ar que respiramos", diz Jorge.

Por enquanto o sistema Mister está instalado nas cidades de Opole (Polônia) Wuppertal (Alemanha), Shonan (Japão), Vancouver (Canadá), Londres (Inglaterra),  Amristar (Índia), Masdar City (Abu Dhabi), Morgantown e Minessota (EUA), alem dos países Coréia do Sul e Holanda.